segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Agendado


Anoto meus defeitos numa agenda, evitando esquecer. Respiro lentamente e permaneço absorta por alguns minutos pelo menos umas quatro vezes por dia. Não consigo evitar e este é um defeito de fábrica. Prendo a respiração por instantes, enquanto ouço vozes internas que são nada mais nada menos do que eu mesma pelo menos umas dez vezes por dia. Não consigo evitar e este é um defeito de fábrica. Respiro rapidamente e não sinto nada além da ininterrupta sensação de fim pelo menos umas duas vezes por dia. Não consigo evitar e este, meu querido, é mais um defeito de fábrica.
Não dou a mínima para a minha respiração e visualizo palavras melancólicas por toda a parte, entretanto, meu querido, este não é um defeito de fábrica. Entretanto, você não volta. Entre tantos, você é o operário que não mais me conserta. Entretanto, você escolheu ser só mais um entre tantos.
Olho ao redor e há uma infinidade de palavras acumuladas nos cabides das minhas incertezas, empoeiradas, desbotadas. Começo a considerar uma bela faxina, todavia, meu querido, você levou todo o material de limpeza. Todavia, você não volta. Toda a vida separei o mesmo dia da minha agenda para preencher com você. Todavia, você escolheu ir embora de mim por toda a vida. Anotei amor na sua agenda e mesmo assim você esqueceu.

Por Jenifer Lima